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Além da dor física: o papel do afeto e do cuidado no bem-estar da criança com câncer

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • 29 de jun.
  • 2 min de leitura

Profissional de saúde mede a pressão arterial de uma criança com lenço rosa na cabeça, durante atendimento em ambiente hospitalar.
O cuidado vai além do tratamento. Afeto, acolhimento e atenção também fazem parte da cura. Foto: Divulgação.

O diagnóstico de câncer em uma criança impacta profundamente a dinâmica familiar, atravessando-se a uma fase marcada por descobertas e leveza. No contexto do tratamento oncológico pediátrico, torna-se evidente que a cura não depende apenas de protocolos médicos. É fundamental considerar o cuidado emocional e a preservação da infância. A dor física é apenas uma das dimensões do processo; o vínculo afetivo e o acolhimento exercem um papel essencial no enfrentamento da doença. Reconhecer a criança em sua integralidade, com seus medos, desejos e o direito de continuar sendo criança, é essencial para construir uma rede de apoio que favoreça seu bem-estar, mesmo em meio às dificuldades.


Durante o tratamento, a criança se expressa para além das palavras. Um olhar distante ou um choro sem explicação são formas silenciosas de comunicação que revelam a necessidade de acolhimento. Nesses momentos, o afeto torna-se uma ferramenta terapêutica indispensável. Em internações, sejam breves ou prolongadas, a presença afetiva da família e a atenção cuidadosa da equipe de saúde funcionam como porto seguro.


A participação familiar orienta o cuidado, revelando aspectos subjetivos que permitem um atendimento mais individualizado. Intervenções psicológicas no ambiente hospitalar — como atividades lúdicas e atendimentos individualizados — são fundamentais para a expressão emocional e o bem-estar psicológico (Silva et al., 2023). Esse olhar humanizado não apenas alivia o sofrimento emocional, como também fortalece a resiliência infantil.


O afeto e o cuidado também se manifestam ao incentivar a participação da família e a autonomia da criança no tratamento. Permitir pequenas escolhas, como decidir o que comer ou qual atividade realizar, contribui para preservar sua dignidade em um momento de vulnerabilidade. Casas de apoio, como a Casa Durval Paiva, cumprem um papel essencial ao acolher cada criança e sua família com um olhar atento às suas necessidades singulares. Como apontam Oliveira et al. (2022), atividades lúdicas, por exemplo, reduzem a ansiedade e o estresse, promovendo bem-estar e esperança ao longo do tratamento.


O enfrentamento do câncer infantil envolve múltiplos desafios que ultrapassam a dor física. No entanto, é por meio do afeto e do cuidado concretizados nas ações da Casa Durval Paiva, que se constrói o caminho para o bem-estar integral da criança. A escuta sensível à sua linguagem silenciosa, o estímulo à autonomia e a garantia de um ambiente que favoreça a socialização e a continuidade da educação, mesmo em meio à doença, são pilares fundamentais. Instituições como a Casa Durval Paiva materializam essa abordagem humanizada, transformando a jornada da criança ao oferecer um suporte que reafirma: para além da dor, há um universo de cuidado, esperança e vida que precisa ser cultivado. Investir no bem-estar emocional e social, como fazem as casas de apoio, é, portanto, investir na integralidade do cuidado com a criança, oferecendo-lhe a força necessária para enfrentar o amanhã.

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