Por que bate o desânimo depois do Carnaval? Entenda o esgotamento emocional que trava o cérebro na volta à rotina
- Amanda Menezes
- há 5 horas
- 2 min de leitura
Irritação, cansaço extremo, desânimo e dificuldade de concentração após dias de festa não são preguiça. Segundo a psicóloga Candice Galvão, o excesso de estímulos altera a química cerebral e dificulta a retomada do ritmo normal

Depois de dias intensos de festa, pouco sono, álcool, excesso de estímulos e quebra total da rotina, muita gente volta ao trabalho com a sensação de mente lenta, corpo pesado e irritação constante. O que costuma ser chamado de preguiça pode, na verdade, ser um quadro de esgotamento emocional pós-Carnaval.
Do ponto de vista psicológico e neurobiológico, o cérebro passa por uma espécie de ressaca neuroquímica após períodos de alta excitação.
Durante a folia, há aumento de dopamina e adrenalina, substâncias ligadas ao prazer, energia e euforia. Ao mesmo tempo, o descanso diminui e a previsibilidade desaparece. Quando esse ritmo termina de forma abrupta, ocorre uma queda desses neurotransmissores, o que pode gerar desânimo, dificuldade de concentração, oscilação de humor e sensação de vazio.
Estudos sobre privação de sono mostram que poucas noites mal dormidas já reduzem atenção e memória em até 30%, ajudando a explicar a dificuldade de retomar a produtividade na semana seguinte.
Para Candice Galvão, especialista em saúde mental, neuropsicologia e regulação emocional, essa resposta é esperada porque o sistema nervoso precisa de tempo para se reorganizar depois de dias de estímulo intenso.
“O sistema nervoso entra em modo de excitação constante durante a folia. Quando a rotina volta de repente, o cérebro sente a queda. Essa transição pode provocar irritabilidade, cansaço extremo e falta de foco. Não é preguiça, é uma resposta emocional do organismo”, explica.
Segundo a psicóloga, a psicoterapia atua não apenas depois do desconforto, mas também de forma preventiva, fortalecendo autoconhecimento, limites e estratégias de regulação emocional.
“A psicoterapia ajuda antes, durante e depois. Antes, fortalecendo autoconhecimento e limites. Durante, promovendo consciência das escolhas. E depois, auxiliando o cérebro a reorganizar emoções e rotina sem sobrecarga. Saúde mental não é emergencial, é construção contínua”, afirma.
Candice ressalta ainda que buscar acompanhamento psicológico não deve ser visto apenas como solução para crises.
“Psicoterapia é cuidado preventivo. É o que sustenta o equilíbrio ao longo do ano.”
Com atendimento online para pacientes de todo o Brasil, a profissional observa aumento na procura por apoio psicológico após feriados prolongados e datas de grande intensidade social, como Carnaval, festas de fim de ano e grandes eventos.
“Não é preguiça. É um sistema emocional pedindo regulação. Quando entendemos isso, paramos de nos culpar e começamos a nos cuidar.”






Comentários